O elevador
pára. Viro-me para a porta e a vejo entrar. O ar vai embora. É sempre assim.
Não consigo respirar direito quando ela se aproxima.
—Oi.
— Ela diz com um sorriso.
—Olá.
— Eu respondo tentando sorrir também. Sem sucesso.
O
ar vai embora aos poucos dos meus pulmões. Preciso engolir em seco. Mas não posso.
Isso é sinal de tensão. Tenho que parecer relaxado. Engulo em seco. O elevador não chega
nunca. Os segundos viram horas. Dias.
A
gente deve morar no mesmo prédio há mais de 10 anos. Ainda assim eu fico tenso
ao encontrá-la no elevador. Ainda assim eu nem imagino qual seja o nome dela.
Hoje.
Hoje eu descubro. Eu preciso saber. Mas preciso tomar coragem antes. Respiro
fundo. Abro a boca para falar.
—Você
toca numa banda, não toca? — Ela pergunta
antes que eu possa reproduzir algum som. Merda.
—Toco.
— Eu respondo friamente. Não por antipatia. Mas por não conseguir pensar
direito. As palavras simplesmente saem nessas horas. O ar ainda não preencheu
meus pulmões.
Tá.
Vou tentar de novo. Respiro fundo. Olho para ela. Ela está sorrindo para mim. O
sorriso dela me desarma. O sorriso dela congela minhas veias. Eu quase posso
sentir meu coração parar por uma fração de segundo.
É
uma sensação péssima. Mas é muito bom.
—Qual
é o seu nome? — Eu pergunto me espantando com minha própria falta de sutileza.
Eu praticamente vomito as palavras. O elevador pára. Não. Não agora. Eu.
Preciso. Saber.
Ela
me olha e sorri. Olha para a porta e a empurra. Vira-se pra mim e diz. Ainda
sorrindo:
—Acho
que essa resposta vai ficar pro próximo passeio.
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