Seguinte, o Blogger não está me ajudando a evoluir por vários motivos, um deles é que eu evoluí como pessoa, mas esse site não me acompanhou, então parti pro Wordpress, aonde tenho mais liberdade, um visual mais "clean", como as pessoas tem dito, e um método de divulgação infinitamente mais eficiente. Afinal, ninguém vive de arte, eu escrevo pra ser lido, publicar um livro, ficar rico e passar o rodo nas famosas na Ilha de Caras.
Sendo assim, aqui está o endereço novo, com a cara nova e o mesmo conteúdo boca-de-lixo de sempre. SIGAM-ME!
http://conflitosescritos.wordpress.com/
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
terça-feira, 20 de novembro de 2012
29. Salasanguerisadas
O sangue está em todo lado, no chão, nas paredes e até um pouco no teto, mas, principalmente, em mim. Minhas roupas enxarcadas deste líquido vermelho grudam no meu corpo como um parasita.
O cheiro. Ninguém nunca fala do cheiro de sangue quando o descreve. Um odor que me faz querer vomitar minha própria alma, mas ao mesmo tempo me traz uma certa paz, uma paz estranha, uma paz que ninguém deveria sentir em sã consciência.
Olho em volta, procurando algo que me faça ter uma reação. Nada. Continuo paralizado no meio dessa sala desconhecida, coberto por um sangue que não é meu e que sou ignorante à origem.
Finalmente corro até a porta, somente para descobrir que ela está trancada.
“Tolo.” diz uma voz saída de não sei aonde. “Pra que a pressa?”
Eu realmente não sei responder a essa pergunta. Pra que a pressa? Para onde vou?
“Quem é?” Pergunto. Sem resposta.
“De quem é esse sangue todo?” Eu grito enfim.
“Seu.”
Olho para meu corpo e vejo que ele continua saindo de mim, sem parar. Mas não sinto dor, não sinto nada. O sangue sai dos meus poros, não de cortes ou feridas.
Minha visão fica avermelhada e percebo que o sangue começa sair dos meus olhos também. Caio de joelhos no chão. Grito por socorro. Ouço risadas distantes.
***
Acordo na minha cama. Sem sangue, sem sala avermelhada. Tudo normal. Uma garota semi-nua aparece no meu quarto.
“Você teve um pesadelo?” Ela pergunta se sentando na cama.
“Pode-se dizer que sim.” Eu digo me levantando e acendendo um cigarro.
Era tão estupidamente real. O sangue grudado na minha pele, o cheiro, a voz...
A garota cujo nome eu não me lembro se despede e a porta se fecha atrás dela. Abro minha garrafa de Jack e dou uns goles. Funciona. O sonho some da minha memória. A rotina segue trabalho, almoço, trabalho, jantar, bar, cama.
***
Sala desconhecida, sangue saindo de mim, jorrando para todos os lados, risadas.
***
Acordo. Minha cama. Sozinho. Acendo um cigarro. Jack Daniel’s. Rotina. Mas dessa vez o sonho não sai da minha cabeça. Olho para a cor vermelha e os arrepios tomam conta de mim. Nessa noite eu não durmo.
Vou pro meu bar de sempre e peço um negroni.
“Me paga um drink, gato?” Diz a garota que acordou comigo no outro dia, se aproximando de mim.
“Um cosmopolitan pra garota.” Eu digo para o barman enquanto ela acende seu cigarro.
“Como vão seus sonhos?” Ela pergunta enquanto sorvo meu negroni. Meu coração dispara ao ver o
vermelho da bebida. O copo cai no chão.
“Você tá bem?” Ela pergunta. “Você está enxarcado de suor!”
“Com licença.” Eu digo indo para o banheiro, onde vomito até o meu âmago.
Vou para casa com 10 latas de energético. Não dormirei hoje.
Amanhece.
A tela do computador do trabalho começa a ficar fora de foco. Caio no teclado.
***
Sala. Sangue. Risadas.
***
Acordo com o meu chefe me balançando com força.
“Cara, você apagou do nada? Tá tudo bem?” Ele me pergunta.
“Não.” Eu respondo.
“Vai pra casa descansar.”
Saio do trabalho e ando a esmo pela rua. A última coisa que eu quero é descansar.
***
O mesmo sonho. De novo e de novo e de novo e de novo.
***
Acordo depois do mesmo sonho acontecer pelo segundo mês consecutivo. Vou até o metrô. Pulo na frente do trem. Tudo fica escuro.
***
Estou numa sala cheia de sangue, o sangue vem de mim.
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