É engraçado pra caralho ver como o mundo está cada dia mais infestado de mau gosto. Ando por dois minutos na minha faculdade e já é notável a falta de bom senso. Vejo as mesmas roupas, os mesmos tênis, os mesmos cortes de cabelo, os mesmos assuntos banais, chaves de carros caros girando em torno de dedos de batedores de punheta profissionais.
Não se vê mais tribos como antigamente, hoje vemos uma única massa sem massa cinzenta alguma. Não se pode falar de arte com alguém que só sabe o nome dos renascentistas por causa das tartarugas ninja. Não se pode falar de música com alguém que acha que um DJ é mais criativo e talentoso apertando o play do que um pianista de jazz que passou a vida estudando para ser o que é. Não se pode falar de livros com alguém que se orgulha em dizer que não gosta de ler.
A vida noturna foi outra vítima dessa nova raça de jovens, os boêmios “Filhos da Revolução” da França do começo do século XX foram, aos poucos, sendo substituídos por grandes pickups tocando bate-estaca no máximo num posto de gasolina. Os bares e pubs somem e dão espaço aos lugares onde a conquista fica em segundo plano e a mononucleose é de fácil acesso num ambiente onde ninguém se vê ou se ouve.
As pessoas pagam caro por esse novo estilo de vida e todos os dias eu me pergunto se elas estão satisfeitas com isso, se vale a pena gastar 200 reais para entrar num lugar onde a conexão por um beijo é mais fria do que um aperto de mão e mais banal do que uma comédia de Hollywood.
A cada ano, a cada moda que vai e que volta, eu tenho esperança de que tudo vai melhorar, nem que seja um pouco, mas sempre sou atingido por um tapa na cara, tapa que vem da mão de um mau gosto maior ainda.
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