Ela sorria pra mim aquele sorriso capaz de fazer derreter o mais duros dos corações enquanto eu segurava sua mão. Homens que dizem que o sorriso é a primeira coisa que prestam atenção numa mulher são chamados de mentirosos, mas bunda ou peito algum diz mais sobre ela do que um sorriso. Não acredito que é a última vez que eu vejo aquele sorriso por um bom tempo. Ela olha nos meus olhos e eu me sinto nu enquanto ela vasculha cada centímetro da minha alma. Mas eu não tenho medo, não com ela.
—Fica. — Ela diz. Ela diz isso de um jeito que me faz estremecer. Eu quase digo que sim, que eu fico, mas eu não posso. Eu quero ficar quase tanto quanto eu quero ir embora.
—Você sabe que eu não posso. — Eu digo com o coração apertado. Apertado como se meu corpo fosse pequeno demais, quase insuportável. Um calafrio sobe pela minha espinha.
—Eu sei, eu quero que você vá, de verdade. Mas também quero que você fique. — Ela diz com um sorriso triste estampando o rosto. Sorrio de volta tentando parecer mais animado, mas não sei se consigo.
Acendemos um cigarro cada um enquanto o jazz toca e a música é o único som dominando o espaço entre nós dois. Tudo ficou em câmera lenta por alguns instantes, o jazz, a fumaça dos cigarros, os movimentos dela enquanto dançava. Dançava como se nada mais no mundo importasse, como se fosse a última dança da história da humanidade. Tudo isso numa tragada de cigarro. Essa tragada podia durar pra sempre, a música, a dança, o sorriso. Tudo deveria ter sido eternizado.
Mas não foi. Quando dei por mim ela estava me abraçando com força e eu retribuía enquanto acariciava sua nuca. Queria beijá-la como se não houvesse amanhã, queria levá-la comigo, queria dizer o quanto eu amava a ideia de amá-la. Mas não fiz nada disso.
Quando nos soltamos tudo que eu pude fazer era olha para aquela boca, para aqueles olhos, para aquele sorriso tão inocente e ao mesmo tempo tão cheio de significado. Eu queria captar aquele momento e guardar na minha cabeça pra sempre. Aquele momento específico, com aquela expressão no rosto.
É o tipo de coisa que todo homem sonha em ver, sua garota num instante de perfeição absoluta, onde todos os elementos estão completamente em harmonia. Os sons, os gestos, os batimentos do coração. E eu estava presenciando isso e uma alegria tomou conta de mim, uma alegria que eu não sentia há anos. O tipo de alegria que faz você ficar arrepiado como se não coubesse dentro de você.
—Promete não me esquecer? — Ela diz ainda com aquele sorriso quente, acolhedor.
—Eu não te esqueceria nem se eu quisesse. — Eu digo antes de dar o último beijo.
Último por enquanto.
Amei a história..ela consegue ser ao mesmo tempo extremamente poética e real. parabéns
ResponderExcluirValeu, Anonimo(a), é esse tipo de comentário que me faz continuar escrevendo. Brigado de coração. Se puder seguir a página do blog no facebook ou divulgar pros amigos, seria ótimo.
ExcluirValeu
Não li todo o blog, mas tudo o que li (e não foi pouco...) só tenho que dizer: Sensacional.
ResponderExcluirOu melhor, até imitaria uma crítica do The Sunday Times para um best-seller que eu tô lendo: "Admirável...audaz...intrigante...apaixonado."
*All the best,
Any
Brigadão, Stephanie! Acabei de ler seu blog também e, apesar de ainda ser curtinho, eu adorei, principalmente a trilha sonora!
ExcluirGostei bastante.
ResponderExcluirUm tanto parecido com o 18.(Silencio), são baseados em fatos reais?Se sim, foram escritos inspirados na mesma pessoa?
Gosto muito do blog, parabéns!
Foi baseado em conversas reais, claro que eu dei uma floreada pra ficar interessante e tudo mais. Mas são situações que aconteceram com pessoas diferentes.
ResponderExcluirBrigadão pelo elogio.
Anônimo, se você fosse a pessoa do 18., saberia que o texto é pra alguém diferente.
ResponderExcluirEntão por favor pare de me envergonhar. Assim fica parecendo que fui eu quem perguntei. ):
Atenciosamente,
A pessoa do 18.
Gostei... Não sei porque fiquei tanto tempo longe do blog...
ResponderExcluirParbéns! :)