Acordo
e aqui está ela, dormindo do meu lado, do jeito em que eu a deixei ontem à
noite, nua e cheirando a whisky de segunda, a diferença é que ontem ela era
mais bonita. Bem mais bonita.
Odeio
isso. Antigamente as pessoas tinham a educação de sair silenciosamente antes
que o dono da cama acordasse. Só falta ela querer café da manhã.
Visto
minha cueca e acendo um cigarro, talvez assim ela acorde e vá embora.
Ela
acorda.
—Posso
pegar um? — Ela diz esfregando os olhos e apontando pro maço.
Não.
—Pode.
— Eu respondo passando o isqueiro.
—Aumenta
um pouco o som. — Ela diz e eu percebo que o B.B. King ainda está tocando no
computador desde ontem, a Lucille deve estar quase sem cordas já.
Puta
garota folgada. Não mexo um músculo, quem sabe se eu me fingir de morto ela
desiste e vai embora. Ela se levanta da cama, me dando esperanças, mas só
aumenta o volume e volta pra cama.
—Mais
uma rodada? — Ela diz pegando no meu pau, felizmente derrubado de exaustão.
—Melhor
não, vai que você gosta e resolve ficar mais. — Eu respondo.
Ela
ri como se eu estivesse brincando.
—Tem
alguma coisa pra comer?
Era
só o que me faltava...
—Não.
— Eu digo colocando as roupas dela na cama. — Melhor você ir embora antes que a
minha mulher chegue.
—Você
é casado?
Se
eu fosse casado, eu teria uma cama de solteiro, caralho?
—Sou.
Ela
ri de novo. Puta risada irritante. A ressaca não ajuda em picas.
—Me
diz que você não gostou de me ter aqui.
Além
de tudo ela é comediante.
—O
certo é “ter-me”. — Eu digo.
—Eu
sei, é porque parece com meter e...
—É.
— Eu interrompo. — Eu sei com o que parece.
Ela
se veste em silêncio. Ah, o precioso silêncio... Levo-a até a porta.
—Devíamos
repetir a dose algum dia. — Ela diz antes que eu fechasse a porta.
Além
de tudo ela é comediante...
Sarcasmo certeiro
ResponderExcluirputo.
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